terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Duas vidas separadas... (III)

INCURSÕES PORNO-LITERÁRIAS

Eu e o meu amigo Rijo falamos sempre de foda e doutras merdas. Não me lembro é de nada agora. Falamos de mulheres, de futebol…, de mulheres…, de futebol…, de mulheres… quer dizer, da crica é que nós gostamos. Mesmo agora, tanto anos depois (não confudir com ânus, que também os refinfámos), é a mesma coisa. Sentamo-nos, mamamos umas minis e a badalhoca da mesa ao lado começa a ficar toda boa e o meu pirilau a babar-se.


Já na juventude, enquanto esgalhávamos o mastro a olhar para mulheres que passavam, falávamos dessas merdas, fantasias que tínhamos e o caralho. Daí a decidirmos compilar esses estados entesados foi um saltinho. Assim surgiram os nossos primeiros textos, que de mão em mão ajudaram muitas punhetas a serem batidas com mais prazer. Até que a certa altura começámos a trabalhar numa história como deve ser. Assim surgiu o nosso primeiro romance porno, “A Selvaginal”, a que quase imediatamente se seguiu outro, “As Cabindadas”. Críticos de então, na liberal Africa, assim escreveram a propósito deste último, no Voz do Manopuim: “…lido na intimidade do quarto, consegue ter o mesmo efeito do chá a que foi buscar o nome. Um conselho: casais em desagregação, comprem este livro e desfrutem de uma maravilha similar ao sexo tântrico. Não há desinteresse sexual que resista.”

Infelizmente, a guerra e outras merdas que por lá se passaram parecem ter destruído a limitada edição de autor, de apenas sessenta e nove exemplares. Da “Selvaginal” e das “Cabindadas” não há rasto, a não ser nas nossas cabeças, porque fomos broches ao ponto de não guardar uma cópia para nós, tal o medo tínhamos que as evangelistas que andávamos a comer descobrissem aquela cena. Enfim, é do caralho.

Mas o reencontro haveria de pôr em marcha outro sonho...


1 comentários:

Anónimo disse...

Aprendi muito