terça-feira, 29 de abril de 2008

Afinal, em que é que ficamos?


Gente Jovem, estou confuso...

O nosso Presidente da républica andava preocupado com a relação dos jovens com a política. Ao que dizem encomendou um estudo, recebeu os resultados, não ficou contente. E escolheu um dos momentos mais solenes do calendário para dar a conhecer ao povo as suas angústias - o 25 de Abril.

Pois bem, os jovens estão-se pouco lixando para a política. Só dá dores de cabeça e é so frustração atrás de entalão. Mas há que lidar com ela. Quanto mais o povinho se envolver melhor, a alta classe percebe que anda a governar sob supervisão, lembra-se de quem é o patrão - O POVO.

Os jovens não se envolvem, pois deveriam! Por exemplo, todos estes jovens condenados ao recibo verde deviam criar associações, unir-se, apresentar os seus problemas... esperem lá. Já o fizeram!!!

E até são convidados, e bem, para o parlamento da nação: o Prós e Contras.

Isto para dizer que a certa altura um jovem, não sei de que associação, se levanta fora de tempo e pede a palavra que lhe é, por razões de tempo, recusada, porque o seu grupo já tivera a sua oportunidade. Aparentemente o jovem não foi convidado, por isso não tem autorização para participar. Dá ideia de que ali só fala quem passou por uma selecção, para dizer o que já se espera...

A Dra. Campos Ferreira, cujo trabalho nos PC admiro imenso, tem de ser mais gentil. Porque razão deixa ela certos figurões, ex-ministros e secretários de estado (esses sim manifestamente incompetentes mas estranhamente fora das leis do mercado, têm sempre tacho!) alongarem-se tanto nas suas divagações complicadas? Talvez que o tempo que esses desbaratam pudesse ser utilizado para ouvir um jovem que, querendo participar, foi impedido.

O jovem, irado e desiludido, irá talvez para casa e para o seu computador pouco se importando com o resto, farto de politiquices. Estou quase certo que perdemos um jovem para política. Mais um. A culpa?

3 comentários:

Precários Inflexíveis disse...

FERVE e Precários-Inflexíveis calados no “Prós e Contras”


Foi divertido ir ao programa “Prós e Contras” de ontem. Passo a explicar: fui convidado a ir ao dito programa, para falar em nome dos Precários-Inflexíveis (PI - precariosinflexiveis.blogspot.com).

Quando cheguei ao local (Casa do Artista, na Pontinha) conduziram-me aos camarins e disseram-me numa escada de acesso que afinal não iria falar. Havia muita gente para falar e a apresentadora teria decidido que falaria apenas um dos representantes de um dos movimentos anti-precariedade convidados para o programa, no caso o movimento Fartos/as d'Estes Recibos Verdes (FERVE – fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com).

Naquele momento ou desistia e ia para casa ou tentava intervir no programa. Afinal, perdera muito tempo a preparar-me para ali estar, em prejuízo do meu trabalho. E havia demasiada gente com muita expectativa no que eu iria dizer. Fazer de jarra decorativa é que não me pareceu aceitável.

Combinei com o representante do FERVE que mal ele acabasse de falar me passaria a palavra e o microfone, dizendo que falaria eu do MAYDAY, a segunda parada anual anti-precariedade. Eu só queria dizer em poucos segundos uma data (1 de Maio) uma hora (uma da tarde) e um ponto de encontro (Largo Camões). E claro que nem ali estaria no auditório da Casa do Artista se não tivesse sido convidado para falar.

O representante do FERVE falou e saiu do auditório pouco depois, porque foi ignorado pelos convidados e pela apresentadora, não tendo ninguém respondido às questões que colocou. E eu fiquei à espera de pé, com o microfone na mão. Longos minutos. Até que me convidaram a sair e abandonei o programa acompanhado por outros membros do PI. A apresentadora ainda teve tempo para mentir, dizendo que eu não fora convidado. Enfim, que dizer? É óbvio que fui convidado, com vários dias de antecedência.

O que se passou até acabou por ser divertido e apenas mostra que movimentos como o FERVE e o PI estão a tornar-se incómodos, porque o que dizemos tem cada vez mais eco.
A precariedade é uma bomba-relógio social que acabará por rebentar nas mãos de muitos dos que dela se aproveitam.
E seremos muitos a mostrar que não nos calamos, seremos muitos a mostrar como fazemos a luta e a festa ao mesmo tempo:
no dia 1 de Maio, a partir da uma da tarde, no Largo Camões em Lisboa.


João Pacheco,
jornalista e membro dos Precários-Inflexíveis.

JPinto disse...

Ui, que cambada.

Por isso é que isto não anda para a frente.

Eu em Junho vou voltar aos recibos verdes. Não há-de ser nada...

Força aí Pacheco.


Carimbo Azul

António de Ramalho Rijo disse...

A precariedade já chegou ao único programa visivel de debate público em Portugal.

Foda-se!!